Apesar da recente desaceleração da inflação, as incertezas no cenário econômico — como a alta do dólar, instabilidade fiscal e pressão nos preços de serviços — fizeram o Banco Central (BC) decidir por mais um aumento na Taxa Selic. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou os juros básicos da economia em 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.
A decisão contrariou parte do mercado, que esperava a manutenção da taxa em 14,75% ao ano, diante dos sinais de enfraquecimento da atividade econômica.
No comunicado oficial, o Copom afirmou que, por enquanto, a tendência é de manutenção da Selic em 15% nas próximas reuniões, mas não descarta novas altas se os riscos inflacionários persistirem.
“O Comitê avalia que, se o cenário projetado se confirmar, deverá interromper o ciclo de altas para observar os impactos acumulados das últimas decisões. No entanto, permanece vigilante e preparado para retomar os ajustes, caso necessário, a fim de assegurar a convergência da inflação à meta”, destacou o comunicado.
Esta foi a sétima alta consecutiva dos juros, que agora alcançam o maior nível em quase duas décadas. A expectativa do mercado é que este seja o último ajuste deste ciclo, com possível estabilidade na taxa até o início de 2026, dependendo da evolução da inflação e do quadro fiscal.
Inflação segue pressionada
A decisão ocorre em meio à persistência de uma inflação elevada. Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio ficou em 0,26%, acumulando 5,32% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Desde janeiro de 2025, o país adota o modelo de meta contínua de inflação, com centro em 3% e faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Pelo novo modelo, a meta é verificada mensalmente, com base na inflação acumulada em 12 meses, e não mais ao final do ano-calendário.
No último Relatório de Inflação, divulgado em março, o Banco Central já havia projetado o IPCA de 2025 em 5,1%, mas indicou que essa previsão poderia ser revista na próxima divulgação, prevista para o final de junho. O boletim Focus, que reflete as expectativas do mercado, projeta atualmente a inflação de 2025 em 5,25%, acima do teto da meta.
Para 2026, o BC prevê uma desaceleração, com o IPCA caindo para 3,6%, dentro dos limites do regime de metas.
Crédito mais caro e economia mais lenta
O aumento da Selic torna o crédito mais caro para empresas e consumidores. Isso impacta diretamente o consumo, os investimentos e o financiamento de dívidas, desacelerando a economia, mas é uma estratégia usada pelo BC para conter a inflação.
O próprio Banco Central reconhece que os efeitos da política monetária são defasados, e por isso opta, neste momento, por manter os juros elevados por mais tempo, observando como a economia vai reagir nos próximos meses.
Ainda pesam sobre o cenário econômico as incertezas fiscais, o aumento das despesas públicas, o dólar em patamar elevado e as tensões no mercado internacional.


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