China, pode não cumprir metas climáticas, mostra novo relatório




O maior emissor de carbono do mundo, a China, pode não cumprir suas metas climáticas depois de aprovar dezenas de novas usinas de carvão, segundo uma pesquisa publicada na quinta-feira (22/02).

A China se comprometeu a “controlar estritamente” a nova capacidade de geração de energia a carvão, e também conectou números recordes de novas usinas eólicas e solares à sua rede, para reduzir a poluição causada pelo carbono até 2030.

Mas depois de uma onda de escassez de eletricidade em 2021, ela também iniciou um boom de permissão de energia a carvão que poderia atrasar sua transição energética, de acordo com uma análise do think tank americano Global Energy Monitor (GEM) e do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA), sediado em Helsinque.

Em apenas dois anos, o país aprovou 218 GW de nova energia a carvão, o suficiente para fornecer eletricidade a todo o Brasil.

A China aprovou 114 gigawatts (GW) de capacidade de energia a carvão em 2023, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. A construção começou em 70 GW de novas usinas a carvão no ano passado, acima dos 54 GW de um ano antes, com outros 47 GW entrando em operação, acima dos 28 GW em 2022, segundo a análise.

“Uma ação drástica” é agora necessária para cumprir as metas de carbono e intensidade energética de 2025, e a China também poderia ter dificuldades para cumprir uma meta de aumentar a participação de combustíveis não fósseis em sua matriz energética total para 20% até 2025, diz o relatório.

A capacidade total de energia da China já é suficiente para atender à demanda, mas sua rede ineficiente é incapaz de entregar eletricidade onde ela é necessária, especialmente entre as províncias, incentivando mais construção de usinas.

O CREA já previu que as emissões de carbono da China cairão este ano, com as taxas de utilização nas usinas a carvão provavelmente caindo significativamente à medida que mais energia limpa é conectada à rede.

“Isto arrisca problemas financeiros significativos para os operadores de usinas a carvão e potencial resistência contra a transição energética”, disse Lauri Myllyvirta, analista-chefe do CREA.

“Esta contradição terá que ser resolvida para que a China realize as reduções de emissões necessárias para se encaminhar para a neutralidade de carbono”.




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